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Controle de estoque de peças de celular sem planilha

Estoque de peças de celular tem um problema que estoque de mercearia não tem: a mesma peça pode estar comprometida com um conserto e disponível para venda ao mesmo tempo. É daí que vem quase todo prejuízo de estoque em assistência técnica.

O problema da peça com dono

Cenário típico de terça-feira: o técnico separa uma tela de iPhone 12 para a OS 148, que está aguardando aprovação do cliente. A tela continua na prateleira. Chega outro cliente no balcão querendo trocar a tela do mesmo modelo, na hora, pagando à vista. O atendente vende — porque, para ele, a peça estava lá.

Resultado: você vendeu duas vezes a mesma peça. Um dos dois clientes vai esperar o fornecedor, e provavelmente vai embora.

A regra: peça vinculada a uma OS sai do estoque vendável no momento do vínculo — não no momento em que o técnico instala. Se o seu controle só baixa na instalação, você tem esse furo aberto todos os dias.

Os quatro estados de uma peça

EstadoO que significaPode vender?
disponívelNa prateleira, sem destinoSim
ReservadaVinculada a uma OS abertaNão
AplicadaInstalada e faturada na OSNão
Em pedidoComprada, ainda não chegouSob encomenda

Uma planilha comum tem uma coluna de quantidade. Ela não consegue representar esses quatro estados sem virar um monstro de abas cruzadas que só o dono entende.

Estoque mínimo por giro, não por chute

A conta é direta: olhe quantas unidades daquela peça você usou nos últimos 30 dias e quantos dias o fornecedor leva para entregar.

Estoque mínimo = consumo médio diário × prazo de entrega × 1,3

Exemplo: você usa 6 telas de iPhone 11 por mês (0,2 por dia) e o fornecedor leva 7 dias. O mínimo é 0,2 × 7 × 1,3 ≈ 2 unidades. Abaixo de 2, é hora de pedir.

O fator 1,3 é a folga para o mês em que aparece uma demanda fora da curva — e ela sempre aparece.

Peça paralela, original e retirada de aparelho

São produtos diferentes, com custo, garantia e preço diferentes. Se estiverem no mesmo item do estoque, o seu custo médio vira ficção e a sua margem também.

  • Original / genuína — maior custo, maior garantia, cliente que exige nota
  • Paralela premium — o meio termo que a maioria das lojas vende
  • Paralela comum — preço de entrada, garantia menor
  • Retirada de aparelho — origem interna, precisa de rastreio próprio

Perdas que ninguém contabiliza

Três buracos silenciosos:

  1. Peça quebrada na instalação. Acontece. Se não for baixada como perda, seu estoque diz que ela existe.
  2. Peça testada e devolvida ao fornecedor. Some da prateleira e não vira venda nem perda.
  3. Peça "emprestada" para teste em outro aparelho e nunca devolvida ao lugar.

Todas as três precisam de uma baixa registrada com motivo. Sem isso, o inventário nunca fecha e você para de confiar no próprio número — que é quando o controle morre de vez.

Inventário: faça por curva, não de uma vez

Parar a loja para contar tudo é inviável. Faça por classe: as peças de maior giro e maior valor (telas dos 10 modelos que você mais atende) a cada 15 dias; o resto uma vez por mês. Leva 20 minutos por vez e mantém o número confiável.

Amarrar bancada e balcão

O ponto final é este: enquanto a OS e a venda consultarem estoques separados, o furo continua. Bancada e balcão precisam ler e escrever no mesmo estoque, em tempo real. É a única forma de o atendente do balcão saber que aquela tela já tem dono.

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